Vocês sabem, os sentimentos podem chegar junto com os humanos.
Por isso, essa história não é formada só pelos sentimentos. Não.
O Amor chegou carregado por ele.
É um história engraçada... Numa tentativa de parecer normal e feliz, eu, a mais estranha das estranhas, fui ao parque.
Quando o vi pela primeira vez, no parque da cidade, estava apenas sentada no gramado, olhando a Felicidade tomando conta das crianças. Olhando o céu azul claro, sem nenhuma nuvem. Olhando os pássaros. Ouvindo-os. Ouvindo as conversas animadas daquela manhã de sábado. Claro, você pode pensar que todos eram felizes. Não posso afirmar por eles, é verdade, mas se eu fosse igual a todos, isso significaria que fingiam que sabiam com era ter a Felicidade te ajudando ao invés de fugindo de todos os outros sentimentos. Mas não eram. Eles eram felizes de verdade.
Quero dizer, tão verdade quanto é possível ser. Eu tinha certeza que em 50% deles, a aparente Felicidade era só uma ilusão que eles mesmos tinham. Achavam que eram felizes. Por que não seriam? Tinham dinheiro, casa, roupas, carros.
O que eles nunca vão entender é que a Felicidade detestava bens materias. O que eles viam ali era a Comodidade. A qualidade de estar cômodo. A Comodidade vinha junto com bens materias, e Felicidade evitava-os. Essa era a diferença... Mas aquelas pessoas pareciam estar confundindo-as. Felicidade e Comodidade não são a mesma coisa.[...]
Palíndromo
uma outra forma de ver o mundo.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Tempo líquido
Surpreendente reler meus próprios textos de outros anos. Não me parecem ter sido escritos por mim. Não são parte de mim mais, não me vejo mais neles. Não sou quem eu era um dia - triste, mas esperançosa; portadora de um coração partido, mas uma amante em todas as circunstâncias. Engraçado perceber tais mudanças. Curioso rever meu passado. Curioso me lembrar de todas as dores e as situações que me trouxeram a este blog. O tempo passou, fluiu, rápida e dolorosamente. Ah, as dores da adolescência, agora não me aflingem tanto quanto antes. Ainda assim, posso me lembrar do coração partido, das cartas - escritas e reescritas - nunca enviadas, das noites em claro aos prantos. Lembro-me muito bem, pois sim. A vida era difícil. Hoje ainda é. Mas parece-me diferente. Hoje vejo o mundo de um ponto de vista mais maduro. Ainda triste e desesperançoso mas tenho em que me apoiar. Tenho quem possa me ajudar e a quem eu possa ajudar. É tudo o que necessito.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
Sal.
Creio então que assim morrerei, por fim, envenenada pela minha mente; traidora, cruel, confusa. Veneno ácido e doce, esse que vejo. Confuso e sincero.
E não tenho meu antídoto, o de sempre: escrever. Nada me sai, nada convém à situação. A frustração parece apenas acelerar o efeito do veneno, que me deixa ainda mais frustrada. Cíclico. Infinito... Complexo demais para a realidade. Talvez um dia eu me livre dele. Seremos, então, apenas eu e minhas mágoas. E minhas mágoas servirão para anestesiar-me, e deixarei por fim a vida tomar o rumo que bem entender. Sem conflitos entre minha mente e meu eu que vocês conhecem. Sem uma luta diária contra o torpor que tenta me possuir, a cada batida do meu coração.
Talvez sejam essas as palavras que eu procurava. Talvez não sejam. Ainda não sei. Estou tomando meu veneno, saboreando-o aos poucos, aproveitando o pouco doce que me mantém viva.
domingo, 5 de junho de 2011
Proposital?
Por algum motivo, ela sempre acabava se encontrando sozinha. Naquele dia não foi diferente.
Acordou, escovou os dentes, saiu, fez as compras, almoçou. Sozinha. Não morava com ninguém, não tinha planos para aquela noite, não conseguia parar de pensar sobre aquele assunto que lhe fazia doer a cabeça. Lavou a louça, tirou um cochilo, estudou, pensou, chorou. Sozinha.
Ela sempre se considerou independente, desde o dia em que saíra da casa dos pais e fora estudar em outra cidade. Mas nunca pensou que independência resultaria em mais solidão. E mais solidão resultaria em depressão.
Tomou um remédio para a dor de cabeça. Pensou... Talvez mais alguns deles, misturados com aquela garrafa de uísque que tinha guardada no armário... Da última vez que fizera isso, tinha 16 anos. Acabou internada. Doeu o estômago ao acordar no hospital, três dias depois do coma. Doeu a cabeça. Os pulmões. Tudo. Mas foram três dias sem nada. Sem rotina, sem dores, sem pensamentos. Só respirando. Era essa a sensação que ela queria ter de volta. Naquela ocasião, tudo doera depois, verdade, mas a essa altura, o que era mais uma dor?
"Egoísmo, é isso que é." Pegou apenas um comprimido, fechou o recipiente,e virou um copo d'água para descer-lhe o remédio. Não valia a pena ser egoísta assim, de novo. Fechou os olhos e apertou-os de leve contra o crânio, numa tentativa desesperada de fazer a dor parar. Enxaqueca maldita.
Foi até a janela e olhou a paisagem: carros. Prédios. Cheiro de fumaça. Urbanização. Respirou fundo, e deu um sorriso para si mesma. A dor de cabeça começara a sumir, aos poucos, como tudo na sua vida fazia. Ela sempre evitava tudo. Era muito mais fácil e mais cômodo para ela. Egoísmo. Ela era uma pessoa egoísta em sua essência. Mas não ouse assumir, por tal fato, que ela, portanto, não pensava nos outros. Ligava muito para os outros. E ligava para o fato de que seu egoísmo os afetava, e somente por isso, controlava-se. O celular tocou. Atendeu, relutante. Desligou alguns minutos depois. Pronto. Tinha planos para a noite; sairia com os amigos. Uma onda de nervosismo se espalhou pelo estômago até os pelos do braço se arrepiarem. A expectativa: será que hoje aconteceria?
Não. Não aconteceria.
Porque ela era burra. Burra ao ponto de se afastar das pessoas que faziam-lhe bem, e hipócrita ao ponto de se dar ao luxo de sentir-se sozinha após isso.
Ruim sem ninguém, pior com alguém. Assim era ela.
Fosse isso proposital ou não.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Vossa Mercê gostaria de uma dose de piedade?
Todos os dias, ela seguia sua rotina: acordar, escovar os dentes, tomar banho, café, ir ao trabalho. Trabalhava num escritório no centro da cidade de São Paulo, onde os carros, o barulho e os passos, não dormiam. Ela até que dormiria, se morasse numa cidade mais calma, onde as ruas eram pequenas e os carros eram poucos; onde as praças eram frequentadas por moradores honestos, não por vândalos ou mendigos. Talvez até tivesse um sítio. Uma cidade onde as pessoas realmente a ouvissem, quem sabe...?
Naquele dia, ela não queria seguir sua rotina. Queria uma mudança. Não do tipo "quero o dobro do queijo no meu lanche, por favor". Estava mais para "quero pintar meu cabelo de azul, colocar um piercing no nariz, e ter o olhar de todas as pessoas que entrarem por aquela mesma porta azul-clara do consultório de sempre". Claro que não o fez - não poderia arriscar perder o emprego. Então acordou, escovou os dentes, tomou banho, café, foi trabalhar. Como sempre fizera. Por que ela não conseguia sair daquele buraco em que ela mesma tinha se enfiado e cavado, tão confortável que, se ele fosse vísivel por outras pessoas, lojas de mobílias um dia ainda a pediriam que fosse trabalhar com eles?
Ela não era cheia de amigos. Tinha colegas. E de trabalho, já que não conseguia suportar seus vizinhos. Ela era tão sozinha, tão vazia... E ao mesmo tempo, tão cheia de si. Tão deploravelmente solitária, tão insuportavelmente imperfeita, tão devastada... Por que ninguém a notava? Por que nenhum cara a pedia para sair? Tão sonhadora... Depois de um único encontro, no qual ele ouviria e entenderia todos os seus problemas, ele já perceberia que estaria com a mulher de sua vida, a pediria em casamento e ela sonharia, de novo, em ir para aquela casa no campo, numa cidade onde as ruas eram pequenas e os carros eram poucos; onde as praças eram frequentadas por moradores honestos, não por vândalos ou mendigos. Todos os dias, acordaria e faria café para seu marido, que ouviria seus problemas sobre a vida naquele sítio e não no do vizinho.
Ela gostava mesmo era de reclamar. Achava-se acima de todos os problemas da humanidade, e consequentemente, de todos os seres humanos. Por isso era tão sozinha, tão vazia... E ao mesmo tempo, tão cheia de si. Por isso nunca sairia daquele apartamento de São Paulo, daquele emprego no escritório do centro, daquele mesmo cabelo castanho-médio que ia até a cintura, daquela saia social preta e aquela meia-calça da mesma cor.
Vazia, a vida era cruel. Cheia, a vida também seria cruel.
Vossa Mercê, afinal de contas, só queria mesmo uma dose de piedade.
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
O Idiota.
Quando me encontraram em casa, naquele último dia de liberdade, não viram a Raiva e a Angústia ao meu lado. Só viram minhas lágrimas e aquele Idiota, caído e gemendo ensanguentado. Não gosto de lembrar dele, porque faz o Ódio querer a Vingança. E eles seriam um casal perigosíssimo. Agora faz uma semana que tudo aquilo aconteceu. Em sete dias, passei de vilã à vítima. Mídia nojenta, é. Quando o Idiota entrou em casa, não sabia que o Ódio estava dormindo. Ele não gosta de ser acordado.
Aí chegaram aqueles humanos fntasiados de justiceiros, os policiais. Minha vizinha mal-comida, depois de ter berrado por silêncio, chamou a polícia. Viram o Idiota caído ao chão e logo me acusaram. Humanos cegos! Por que só veem o que os olhos enxergam? Há tanto mais para ser visto, imaginado, pensado, sonhado. Há tanta coisa que não é "enxergável" e é visível. Tolos por natureza. Não viram o Medo ao meu lado, mascarado pela Raiva. Julgaram-me culpada. Dois dias depois, quando o Idiota confessou a invasõ e a tentativa de estupro, tiraram-me as algemas e me trouxeram ao hospital.
Não gosto de hospitais, deixe-me dizer. O reino do Medo e da Tristeza. Não, não gosto mesmo. Fui transferida e dizem vou ficar aqui mais mais três semanas, mas duvido que me liberem em menos de dois meses. Aliás, duvido até que me liberem algum dia. A mídia nojenta disse que sou louca, e o hospital sentiu-se obrigado a me deixar aqui e me examinar. Pelo menos o Idiota foi preso.
E eu também. Presa num lugar que nem gosto.
Presa num hospício. E acho que nunca vou sair.
Aqui começo uma nova etapa da minha vida. Tudo porque eu vejo coisas que os Imbecis não veem.
Eu sei que estou certa. Ainda provo isso para vocês. Vocês ainda vão entender tudo o que eu penso, e aí, quem sabe, um dia eu saia dessa caverna branca.
Ou não.
Deplorável.
Aí chegaram aqueles humanos fntasiados de justiceiros, os policiais. Minha vizinha mal-comida, depois de ter berrado por silêncio, chamou a polícia. Viram o Idiota caído ao chão e logo me acusaram. Humanos cegos! Por que só veem o que os olhos enxergam? Há tanto mais para ser visto, imaginado, pensado, sonhado. Há tanta coisa que não é "enxergável" e é visível. Tolos por natureza. Não viram o Medo ao meu lado, mascarado pela Raiva. Julgaram-me culpada. Dois dias depois, quando o Idiota confessou a invasõ e a tentativa de estupro, tiraram-me as algemas e me trouxeram ao hospital.
Não gosto de hospitais, deixe-me dizer. O reino do Medo e da Tristeza. Não, não gosto mesmo. Fui transferida e dizem vou ficar aqui mais mais três semanas, mas duvido que me liberem em menos de dois meses. Aliás, duvido até que me liberem algum dia. A mídia nojenta disse que sou louca, e o hospital sentiu-se obrigado a me deixar aqui e me examinar. Pelo menos o Idiota foi preso.
E eu também. Presa num lugar que nem gosto.
Presa num hospício. E acho que nunca vou sair.
Aqui começo uma nova etapa da minha vida. Tudo porque eu vejo coisas que os Imbecis não veem.
Eu sei que estou certa. Ainda provo isso para vocês. Vocês ainda vão entender tudo o que eu penso, e aí, quem sabe, um dia eu saia dessa caverna branca.
Ou não.
Deplorável.
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