quinta-feira, 24 de junho de 2010

I won't let you haunt me down.

Você sabe como é chegar à escola e querer sumir?
Esse texto é sobre Bullying. Se achar muito batido, se achar muito cilichê, muito adolescente... Eu caguei para você. O blog é meu. Se não quiser ler, não leia.
Mas você provavelmente não sabe como é a sensação de sentir-se diminuído. E eu vou lhe explicar, é inexplicável. Aterrorizante, para ser sincera. É assustador pensar que você se sente de tal forma porque alguém (que muito provavelmente é pior que você) disse que você é assim. Um nada.
E você começa a se olhar no espelho e não gostar daquilo. A vontade de gritar aumenta dia após dia e você não o faz. Não pede ajuda - porque se ele souber que você não está aguentando, aí que vai adorar! A relação de agressor x agredido é assim: o agredido deixa o agressor pisar nele porque sabe que nada que fizer vai adiantar. O fato é que você já falou para todos que poderiam te ajudar e - como as ameaças não seguram os hormônios adolescentes e a vontade de aparecer - as brincadeiras continuam.
Se você é do tipo que zoa as pessoas só por elas serem diferentes, você é nada mais do que um nada. Uma ameba desprezável e nojenta, e eu espero poder ver sua morte.
Porque eu vou ao seu enterro e cuspirei no seu túmulo do mesmo jeito que você já o fez em mim - e você sabe quem é. É o cúmulo.
Foi o cúmulo da estupidez eu ter tentado fazer alguma coisa mas apenas ameaças foram feitas à eles. E hoje me perguntam porque eu tenho tanto ódio daquela escola. É porque vocês não me fizeram bem. Vocês são hipócritas. Assim como seus alunos. E eu espero que vocês um dia percebam o que fizeram e no mínimo corrijam seus erros.
E esta geração está perdida.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Patriotas platônicos.

Passamos três anos e meio falando mal do Brasil. Criticamos o povo, a falta de saneamento básico, o governo, o cachorro-quente frio da esquina. E aí, senhoras e senhores, entramos na Copa do Mundo.
Quem fala mal do Brasil em época de Copa do Mundo corre o risco de ser crucificado, empalado, ou até queimado vivo se não retratar seu erro, no maior estilo Galileu. Oras, o Brasil é maravilhoso! Quem, eu?! Calúnia! Eu só falei que o Brasil não presta, mas tá na Copa, oras!
Ah, o grande erro do brasileiro: achar que futebol vai salvar o país. Não vai.
Uma estrela a mais no emblema do uniforme não vai mudar droga nenhuma na sua vida. Não vai mesmo.
Somos os melhores no futebol... E brasileiro tem orgulho disso! Orgulho da seleção, representada por 11 jogadores, na sua maioria (não disse todos, calem-se) sem educação básica, sem nem saber falar o português corretamente, mas sabe jogar futebol. E isso vale por tudo. Isso cobre tudo. Cobre a falta de escolaridade, cobre o fato de não saberem conjulgar um verbo em todos os tempos, cobre até mesmo o passado - porque o passado dele é obscuro... Favelas? Não abrem a boca para falar sobre. Esquecem as raízes. Ignoram os problemas que eles mesmo viveram porque agora eles tem uma vida de casamentos em palácios franceses e casas na Itália.
E o brasileiro assiste. Assiste e adora! A bola no chão, a euforia no estádio, as vuvuzelas soprando com força... E tudo isso porque é ano de Copa. Ano de Copa todo brasileiro tem orgulho de falar que é brasileiro. Ano de Copa te deixa com o peito estufado quando você canta o Hino Nacional, afinal somos descendentes daqueles que " ouviram do ipiranga as margens flácidas, de um polvo heroico o rato retumbante". E aí começa o jogo. Coração na mão. Se fizer gol, é por isso que eu sou brasileiro. Se não fizer, o técnico é porco, a seleção é ruim, o juíz é ladrão e a mãe dele é tudo e mais um pouco.
Passada a Copa, os brasileiros retomam seus dias normalmente. Seu trabalho é ruim. Sua mãe te irrita. A vida é uma droga. Bom mesmo seria morar na Europa. Madri, Paris, Viena, Roma, Valencia, Londres. Lá sim, a vida é boa. E, na próxima Copa, vou estar num pub inglês, com minha camisa do Brasil, com - quem sabe - seis estrelas e peito estufado cantando o hino às margens flácidas do Big Bang.