(Prólogo - Maldito Diário)
Maldito Diário,
Hoje acordei cedo, e não fui à aula.
A vontade de chorar me tomaria conta se eu o fizesse.
Fui até a lagoa, andando calmamente por lá. Não tinha pressa; era só o que eu faria durante cinco horas e meia.
Enquanto andava, pensei tê-lo visto. Não só uma vez, mas várias, como se ele me acompanhasse ao meu lado, como se eu pudesse novamente sentir o toque das mãos de quem um dia já foi meu melhor amigo.
Por que ele teve que ir? É tão cruel.
É egoísmo da minha parte querê-lo de volta, e eu sei disso. Não posso querer que ele volte só por mim. Mas, Deus, como faz falta a risada dele. Como doi saber que ele não me ligará mais, adivinhando quando eu preciso ouvir a voz dele. Como é difícil aceitar que ele se foi.
E se foi há quase três anos.
Hoje só o que me resta é a saudade e as lembranças. Memórias de um sorriso, de um olho castanho claro, do seu abraço.
Parada em frente a lagoa, olhando o céu cinza maravilhosamente imenso, meu celular tocou.
Um minuto depois, as lágrimas começam a cair. Desesperadamente.
É do hospital. Minha melhor amiga acaba de ter o mesmo fim que meu melhor amigo teve.
Mas por escolha dela.
Sabia que isso iria acontecer... Pude sentir.
Foi por esse motivo que eu fugi da sociedade hoje. A lagoa estava cheia de pessoas fazendo exercícios físicos, mas eu estava escondida no meio de folhas e árvores. Invísel.
E eu estava sozinha.
Absolutamente sozinha.
Sem ninguém para me ajudar no mundo.
Sou Sarah, uma garota qualquer. A garota mais deprimente do mundo. Tudo e nada, ao mesmo tempo.