Respirou fundo, e sorriu ao ver os olhos de seu colega de sala sangrando por ter espetado um lápis nele. Estava feliz por ver o sangue jorrando por um lugar tão incomum.
Mesmo tendo apenas 7 anos de idade. Mesmo sendo apenas uma criança. Mesmo que estivesse em público, percebeu que gostava de ver sofrimento nas pessoas. Fazia-a sentir-se bem, uma paz jamais sentida antes.
Desde então, tudo mudou na vida de Jullie. Os cabelos loiros quase brancos e os olhos azuis como o céu, a pele branca como neve. Era alemã, ariana. Tinha orgulho disso.
Seu ídolo era Hitler.
Seus atos lhe inspiravam, embora fosse nova demais para entender isso. Para entender a complexidade de tudo o que seu ídolo havia feito quando vivo. Achava-o certo, apenas um homem que ia atrás do que queria, e no caso, o que queria era se livrar de judeus, negros, ou qualquer um que não fosse da raça que considerava ''pura''. Jullie admirava a força de vontade dele. Admirava o fato que ele matava para alcançar seu objetivo.
Com o ocorrido na sala de aula, Jullie estava farta de tudo. A diretora de sua escola chamou seus pais para uma conversa, e aconselhou-os a levá-la a um psicólogo. Na sala do psicólogo, as únicas palavras ditas pela menina foram ''Eu faço o que acho certo. Ele é judeu.''
O fato de seu próprio pai também ter decendência judaica lhe assolava a alma, lhe envergonhava profundamente. Mais do que isso, deixava-lhe com ódio profundo de seu pai.
Uma noite, semanas após o fato que lhe expulsara da escola aos meros sete anos de idade, Jullie estava acordada em sua cama, olhando a parede pintada de rosa claro com enfeites pendurados e pinturas que ela mesma fizera, de sua família. Ela, sua mãe, seu irmão mais novo e seu pai. Nessa ordem exata.
Levantou-se da cama, pegou um giz de cera preto e desenhou uma cruz ao lado da gravura que represntava seu pai.
Depois, pegou outro giz de cera, desta vez, rosa claro, quase do mesmo tom de sua parede, e fez o símbolo do partido nazista.
Duas ruas embaixo de sua casa, na cidade de Berlim, havia um galpão. Segundo fatos históricos, era um dos galpões que Hitler ultilizara há tantos anos para trancar judeus e negros, fazendo-os respirar gás e morrer. Jullie abriu um sorriso com sua ideia. ''Livraria o mundo de um judeu,'' pensou ''e ainda sentiria o prazer de machucar alguém novamente.''
Decidiu agir.
No porão de sua casa, seus pais, químicos, guardavam galões com gás fosgênio, para experiências. Ficavam lacrados, claro, e o porão ficava trancado. Mas Jullie sabia onde ficavam as chaves, e sabia como abrir os galões, embora seus pais desconhecessem esse fato.
Foi até a cozinha, pegou uma cadeira, levou-a até a dispensa, e encontrou as chaves na última prateleira de cima. Depois pegou um canivete, ao lado das chaves.
Desceu até o porão, abriu a porta, encontrou uma máscara de gás ao lado de um dos galões. O galão era quase de seu tamanho, mas não importava. Rolou o galão até o galpão histórico, duas ruas abaixo. Depois, pegou a máscara de gás e enfiou-a na mochila.
Voltou a dormir.
Pela manhã, ao chegar na cozinha, encontrou seu pai, sua mãe e seu irmão mais novo, tomando café.
-Papai, pode me levar ao galpão de Hitler?
Seu pai olhou para a esposa, preocupado. O fato de Jullie adorar Hitler era intrigante demais para eles. Sua mãe lhe lançou um olhar em resposta e disse:
-Vá, ela quer.
-Tudo bem.
Quinze minutos depois, Jullie estava pronta, com a mochila nas costas.
E a máscara de gás dentro dela.
Ao descer as ruas, Jullie falava alegremente.
-Por que as pessoas tinham tanto medo de Hitler? Por que ele era tão odiado?
-Bom, filha... Hitler era mau. Não era o tipo de sujeito que tinha muitos amigos, e não respeitava ninguém que não fosse como ele considerava ''puro''.
-Mas isso não me parece justo. Ele apenas ia atrás do que queria. Isso é motivo para odiá-lo?
-É... Nada justifica ódio, claro, mas se justificasse, isso seria uma boa desculpa.
Ao chegar no galpão, Jullie abriu a porta de madeira e esperou seu pai entrar.
Pegou a mochila, e enquanto seu pai olhava por entre as paredes que já fizeram história, colocou a máscara de gás. Retirou o lacre do galão.
Olhou seu pai.
Saiu do galpão, e antes de trancar a porta para seu pai, olhou-o.
-Adeus, papai.-Disse ela, sorrindo ao ver o terror nos olhos da figura paterna- Não se esqueça de respirar bastante o gás lá dentro.- E trancou a porta.
sábado, 27 de junho de 2009
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Lantiremo
Ao passar pelo portão metálico e preto em formato de arco, observo o céu perfeitamente nublado. Meu dia de sorte, penso, ironicamente. Estou no lugar em que mais me sinto calma e o céu está da minha cor preferida, um cinza denso.
Aqui, neste cemitério, tenho amigos de verdade.
Muitos achariam que sou louca, ou simplesmente teriam medo de mim. Mas, desde os sete anos de idade, quando sonhei com um menino simpático de cabelos morenos me chamando para vir para cá, tenho paixão por isso tudo. Por esse lugar, pelas árvores, pela minha mediunidade, pelo céu nublado, por ele.
Sento-me, arrumando a saia do meu vestido vermelho e com rendas pretas de modo que pudesse me sentar sobre ela sob uma árvore de galhos secos e tronco grosso. Ajeito meu cabelo escuro, puxando-o para o lado esquerdo. Observo a paisagem, calmamente, observando todos os espíritos que ali estavam, vagando. Simplesmente andando, para lá e para cá. Alguns vão para reuniões mediúnicas, outros estão ainda não descobriram que desencarnaram, e simplesmente vagam perdidos nesse mundo imenso.
Quando, de repente, a visão do meu amado chega aos meus olhos. Usando a sua roupa de sempre, os cabelos ajeitados de lado, caídos sobre a testa numa franja perfeita. Poderia ser um modelo, se não fosse pelo fato de seu coração não bater à 10 anos.
-Oi- diz-me ele, com sua voz amargurada habitual.
-Oi- respondo
-Temos que conversar.
Congelo.Mesmo quando quem que você ama é um espírito, ainda é amedrontante ouvir tais palavras.
-Tudo bem... Conversemos.
-Vai ser meio complexo explicar isso.
-Tente- disse eu, exasperada.
Ele hesitou.
-Tenho que ir.
Compreendi de imediato. Eram as palavras que temera ouvir haviam seis anos. Sempre temera esse momento, e agora ele chegara.
Ele ia reencarnar.
Suspirei. Assim como as pessoas se vão, os espíritos também se vão.Senti minha respiração ficar fraca.
Não sabia porque estava assim; nunca pudera haver nada entre eu e ele. Eu sempre soubera disso.
Mesmo assim, não pude evitar que a lágrima idiota caísse.
-Onde? Quando?
-Uma família em Sidney. Estou indo agora, e nascerei em 8 meses e 19 dias.
-Boa sorte. -disse, sendo sincera, porém, entre soluços.- Espero que sua família seja boa.
Ele me abraçou. Mentalmente, claro. Eu senti seu abraço me reconfortanto e me acalmei.
-Nunca, em nenhuma outra vida, seu rosto sairá de minha memória, Isabella Smith. Eu te amo.
-Eu também amo-lhe, profundamente.
-Adeus, meu anjo de carne e osso.
-Adeus.
E ele se foi. Para nunca mais voltar, nem em meus sonhos, nem em vida real. Apenas no mundo espiritual, quem sabe, algum dia.
Se contasse minha amargura mais profunda e súbita a alguém, provavelmente estaria numa camisa de força dentro de 2 horas. Portanto, sofro em silêncio.
(Lantiremo: [latim] Descubra meus sinais)
Aqui, neste cemitério, tenho amigos de verdade.
Muitos achariam que sou louca, ou simplesmente teriam medo de mim. Mas, desde os sete anos de idade, quando sonhei com um menino simpático de cabelos morenos me chamando para vir para cá, tenho paixão por isso tudo. Por esse lugar, pelas árvores, pela minha mediunidade, pelo céu nublado, por ele.
Sento-me, arrumando a saia do meu vestido vermelho e com rendas pretas de modo que pudesse me sentar sobre ela sob uma árvore de galhos secos e tronco grosso. Ajeito meu cabelo escuro, puxando-o para o lado esquerdo. Observo a paisagem, calmamente, observando todos os espíritos que ali estavam, vagando. Simplesmente andando, para lá e para cá. Alguns vão para reuniões mediúnicas, outros estão ainda não descobriram que desencarnaram, e simplesmente vagam perdidos nesse mundo imenso.
Quando, de repente, a visão do meu amado chega aos meus olhos. Usando a sua roupa de sempre, os cabelos ajeitados de lado, caídos sobre a testa numa franja perfeita. Poderia ser um modelo, se não fosse pelo fato de seu coração não bater à 10 anos.
-Oi- diz-me ele, com sua voz amargurada habitual.
-Oi- respondo
-Temos que conversar.
Congelo.Mesmo quando quem que você ama é um espírito, ainda é amedrontante ouvir tais palavras.
-Tudo bem... Conversemos.
-Vai ser meio complexo explicar isso.
-Tente- disse eu, exasperada.
Ele hesitou.
-Tenho que ir.
Compreendi de imediato. Eram as palavras que temera ouvir haviam seis anos. Sempre temera esse momento, e agora ele chegara.
Ele ia reencarnar.
Suspirei. Assim como as pessoas se vão, os espíritos também se vão.Senti minha respiração ficar fraca.
Não sabia porque estava assim; nunca pudera haver nada entre eu e ele. Eu sempre soubera disso.
Mesmo assim, não pude evitar que a lágrima idiota caísse.
-Onde? Quando?
-Uma família em Sidney. Estou indo agora, e nascerei em 8 meses e 19 dias.
-Boa sorte. -disse, sendo sincera, porém, entre soluços.- Espero que sua família seja boa.
Ele me abraçou. Mentalmente, claro. Eu senti seu abraço me reconfortanto e me acalmei.
-Nunca, em nenhuma outra vida, seu rosto sairá de minha memória, Isabella Smith. Eu te amo.
-Eu também amo-lhe, profundamente.
-Adeus, meu anjo de carne e osso.
-Adeus.
E ele se foi. Para nunca mais voltar, nem em meus sonhos, nem em vida real. Apenas no mundo espiritual, quem sabe, algum dia.
Se contasse minha amargura mais profunda e súbita a alguém, provavelmente estaria numa camisa de força dentro de 2 horas. Portanto, sofro em silêncio.
(Lantiremo: [latim] Descubra meus sinais)
quinta-feira, 11 de junho de 2009
My mind scares the shit outta me.
Ao passar em frente ao espelho grande e velho, com a borda dourada enferrujada e o formato redondo. De repente, olho-me. A imagem refletida é pior do que se eu visse a mim mesma morta ou ensanguentada. Se estou biologicamente viva, por que não sinto meu coração bater? Se consigo andar, por que não consigo sorrir espontaneamente?
A imagem refletida é de uma menina pálida de cabelos escuros com os olhos inchados de tanto chorar.
''Você tem que controlar sua mente.''
A imagem refletida é de uma menina pálida de cabelos escuros com os olhos inchados de tanto chorar.
''Você tem que controlar sua mente.''
terça-feira, 9 de junho de 2009
apathy
Uma caneta. Uma folha de papel com palavras escritas e riscadas, de novo e de novo.
De repente, uma gota de sangue cai de seus olhos.
Um anjo chora hoje. Chovem lágrimas desesperadas.
Apenas a apatia me domina.
De repente, uma gota de sangue cai de seus olhos.
Um anjo chora hoje. Chovem lágrimas desesperadas.
Apenas a apatia me domina.
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